Choque sistêmico: o efeito do petróleo a US$ 100 no Brasil
Análise da propagação da crise no Oriente Médio pela cadeia de combustíveis nacional e seus reflexos nos custos de obras.
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O estopim: Brent acima de US$ 100
O risco ao Estreito de Ormuz, por onde passam de 20% a 25% do abastecimento mundial de petróleo, provocou o maior salto do Brent desde 2022. Em 08/03/2026 o barril chegou a US$ 108,23, alta de 57,77%.
O paradoxo da bomba
Mesmo sem reajuste oficial da Petrobras (última alteração da gasolina em jan/2026 e do diesel em mai/2025), a ANP já registrava alta nas bombas: gasolina de R$ 6,28 para R$ 6,30 e diesel de R$ 6,03 para R$ 6,08 na média nacional.
A explicação está no blend: a produção nacional cobre de 70% a 90% da demanda a preço congelado, mas a parcela importada (cerca de 30% do diesel e 10% da gasolina) entra a preço internacional. O custo médio das distribuidoras sobe, com repasses de até R$ 0,80 no diesel e R$ 0,30 na gasolina.
Defasagem recorde
Com o petróleo a US$ 100, o diesel no Brasil ficou 85% mais barato que no exterior e a gasolina 49%, inviabilizando a paridade de importação para os importadores independentes.
Cenários e impacto na construção
O estudo analisa dois cenários para a Petrobras: absorver um choque temporário por até 15 dias ou repassar preços diante de um choque estrutural, com impacto imediato na inflação. Também avalia a proposta da CNA de elevar a mistura de biodiesel de B15 para B17 para amortecer custos logísticos.
Para a construção civil, o diesel pesa em fretes, operação de equipamentos e na cadeia de suprimentos. Acompanhe a evolução semanal dos preços na seção de combustíveis do OPIC e avalie mecanismos contratuais de reajuste e reequilíbrio com base em evidências.
